Eu, Papillon e as azeitonas roxas

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Eu, Papillon e as azeitonas roxas

Outro viagem para a Pipa. Foto: Daniel Araújo
Outro viagem para a Pipa. Foto: Daniel Araújo

Texto: Marígia Mádje Tertuliano,  economista, pesquisadora e amante do ciclismo

            O ciclismo está de “vento em popa”, em todo o mundo! A brincadeira de criança toma proporções enormes e leva o cidadão à melhoria da qualidade de vida, a invadir a paisagem em busca de aventura, à integração com a natureza e a ganhar as ruas e as estradas, para “girar”. A atividade que, de solitária nada tem, promove a criação de grupos, que surgem nas diferentes localidades e integram diferentes perfis. Apesar de ecléticos, primam pela identidade e organização, cujas amizades construídas ultrapassam, muitas vezes, os pedais.

Eu entrei nessa brincadeira, por acaso, e comecei a desvendar a beleza, que é pedalar. Entre as minhas aventuras – na cidade ou na estrada –  está a ida à João Pessoa, contra o vento, diga-se de passagem, e que me fez refletir o quanto querer é poder.

Depois de Jampa, lancei-me em outro desafio – ir à Nova Floresta/PB, minha terra, que fica a 173 km de Natal. Seriam muitos quilômetros de pura felicidade – eu, Papillon e meu amigo, Mario Rolim – estudante de engenharia elétrica, que, “quando cisma”, coloca a mochila nas costas e cria roteiros de tirar o fôlego.

Foto: Marígia Mádje
Foto: Marígia Mádje

Assim, em um dia de fevereiro, imitando o Mário, coloquei o pé nos pedais e, em sua companhia, girei no asfalto. Ao longo do caminho, muitas surpresas e maravilhas escondidas – riachos, frutos exóticos e paisagens divinas, além de azeitonas roxas.  A “alameda das azeitonas”, como denominei, é um lugar especial, perto de Natal, repleto de azeitoneiras centenárias, que margeiam o asfalto repleto de veículos e suas fuligens, onde bicicletas e seus condutores brigam por espaço, para verem o dia nascer feliz.

 

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Quase em João Pessoa. Foto: Saulo Gomes

E aí, leitor, conheces algum lugar assim? Não?

Pois é! Este lugar existe e é lindo! As azeitoneiras estão lá – doces, suculentas, enormes e enfeitando a paisagem com seu cheiro e sabor inigualáveis, convivendo, harmoniosamente, à margem de um riacho, de água limpa e corrente, com os cajueiros e mangueiras, assim como as seriguelas, para saciarem a fome de ciclistas curiosos, dos andarilhos e de todos os animais daquele ecossistema.

Foto: Mário Rolim
Foto: Mário Rolim
Foto: Mário Rolim
Foto: Mário Rolim

 

À frente do meu giro, elas se debruçaram sobre o acostamento e chamaram a minha atenção, pelo bordeaux de suas frutas, caídas no chão, formando um tapete; pelo brilho de suas folhas, molhadas pelo orvalho da manhã, e pelo cheiro característico que exalavam. Elas, imediatamente, fizeram-me voltar à infância e às férias na casa do meu Vô Barreto. Tempo onde ir à casa de Dona Cidônia, comprar as frutinhas – que vinham enroladas, delicadamente, em cones de papel madeira e que faziam a alegria das crianças da cidade – era motivo de felicidade.

Foto: Mário Rolim
Foto: Mário Rolim

Enfim, poderia passar horas descrevendo as emoções que senti ao encontrá-las, mas retorno à pergunta: já descobriu onde fica essa maravilha? Não?

Pois, é! Em meio ao asfalto, quente ou frio, elas embelezam a Reta Tabajara –  aonde milhares de carros se espremem, para que seus motoristas cheguem aos seus destinos, e a velocidade é um dos empecilhos, para que estes apreciem o belo. Na Reta, mais uma vez, descobri que eu e Papillon, somos unas, nos giros da vida, e que as belezas escondidas nas distâncias, a exemplo de Nova Floresta, são detalhes de um dia de pedal, que só enxerga quem entende o prazer de pedalar.

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14 comentários em “Eu, Papillon e as azeitonas roxas”

  1. Uma linda aventura!
    Eu estou me ensaiando para comprar uma baike e entrar nesse mudo. Sou de Santa Maria/RS e meu sonho é “fazer um pedal” daqui até Montevideu.
    Um dia…

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    1. Oi, Oscar! Fico muito feliz com sua decisão. A bike nos leva longe. Para tanto, é preciso planejarmos nossas viagens e nosso corpinho. Grande abraço e obrigada pelas palavras carinhosas. Sucesso!
      Marígia Mádje

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  2. Parabéns Madje, uma das poucas mulheres que encaram desafios gigantescos sobre duas rodas, como ciclista, sei, quantas vezes, nos deparamos com lugares que motoristas apenas passariam em seus carros com o som ligado, ar condicionado e películas escuras, sem ver, sentir ou apreciar, locais divinos ou por do sol e nascer do sol, rios pequenos, plantas…
    Parabéns pela aventura e pelo relato, tão perfeito que nos remete ao local.

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  3. Desvendar novos caminhos cercados de árvores e estrada de barro ou urbana,sair como aventureiro(a) e ao mesmo tempo melhorar a quantidade de vida num exercício físico movimentado por uma bike . Importância que faz diferença no dia a dia: o sacrifício de chegar ao limite ou próximo dele, quando se faz um trajeto até João Pessoa, por exemplo,ao mesmo tempo,a sensação de bem estar em contemplar a natureza,através de duas rodas. Alimentada e conduzida por você. A vida nos proporciona e ainda é poucas pessoas que conhece praticando.Porém, essa atividade vem crescendo a cada dia.

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    1. É verdade, Saulo! Cresce tb,a meu ver, pq os ciclistas se conhecem hoje e tornam-se irmãos de sangue… rs
      Você é um que faz parte do meu mundo e que tenho grande consideração. Obrigada pela amizade!
      Bjs

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